
Atualmente é muito comum encontrarmos pessoas de todas as idades no semáforo, desde crianças à adultos, portadores de necessidade ou não, todos com suas bolinhas, laranjas e limões, buscando fazer malabarismos para ganhar um trocado. A desigualdade social é nítida em nosso país e esse tipo de prática tem ficado cada vez mais comum em nossa cidade, afinal vivemos em uma cultura assistencialista. E por mais que eu seja contra essa prática, percebo que a maioria dos motoristas colabora com esse tipo de situação, cada um com seu motivo pessoal; mas será que estamos realmente ajudando?
Refletindo sobre essa cena, percebo que o mesmo ocorre em outras situações e por conta dessa mania de querermos ajudar o próximo não permitindo que ele crie asas e voe. Sem querer, acabamos despotencializando o sujeito, aprisionando-os dentro de uma gaiola, passando mensagens dissonantes de nosso desejo de ajudar. Algumas pessoas inclusive podem achar um absurdo o que estou escrevendo, mas lembro de um exemplo de um estudante do Ceará que caminhava quilômetros até chegar à faculdade, e que, com muita dificuldade conseguiu concluir o curso de Medicina. Lembrando que este é um curso que a maioria acredita ser possível apenas para a classe média/alta. Sabem como ele conseguiu? Todos que lhe importavam acreditaram nele, e o mais importante, ele mesmo acreditou em si!
Essa mania de querer ajudar ocorre em vários tipos de relação, seja na relação familiar, amorosa e até na profissional. É muito comum casos de mães que precisam manter uma relação de dependência com seus filhos; só que eles crescem e essa relação continua como se essas crianças não pudessem se frustrar. Esses meninos chegam à idade adulta sem saber como lidar com a vida; precisam sempre de alguém que faça o que eles não aprenderam a fazer. Cortar esse cordão umbilical imaginário não é algo fácil; entre outras coisas, é preciso muita força de vontade e principalmente que se imponha limites a esse tipo de relação.
Essas mães dizem amar muito aos seus filhos, e compreendo que esse seja o único tipo de amor possível para elas, mas vale colocar que geralmente essa forma de amar visa aplacar um vazio contido em suas vidas. Com isso, dificultam o desenvolvimento do outro, seja através da dependência emocional e/ou financeira. No exemplo anterior, citei um caso familiar. Já numa relação amorosa e profissional não difere muito disso, apenas os locais e as pessoas mudam. É preciso que haja uma maior reflexão acerca de como nos relacionamos com o outro e consigo mesmo.
Sem a intenção de concluir, digo que é preciso acreditar no potencial criativo das pessoas e, é esse mesmo potencial criativo que nos leva a mudar. Vamos substituir as mensagens negativas de incapacidade por mensagens positivas de confiança e credibilidade, afinal relações saudáveis nos levam ao crescimento.




